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Opinião

O Flamengo deve ser apartidário, nunca apolítico

CA

Por Carlão Azevedo

@carlãoazevedo

31 de outubro de 2026

99 acessos

O Flamengo deve ser apartidário, nunca apolítico



Olá, amigas e amigos rubro-negros!

Passado um dos períodos eleitorais mais acirrados da recente história democrática brasileira, creio ser mais tranquilo neste momento abordar um tema que sempre mexe com a Nação nesta época: o envolvimento do Flamengo, enquanto representado por seus dirigentes, no processo político fora dos muros do clube.

Primeiramente, é importante reforçar que fazemos política a todo momento: no nosso lar, no nosso ambiente de trabalho, com os amigos, a ponto de o saudoso presidente que nunca assumiu o comando da República, Tancredo Neves, ter atribuída a si a frase “política se faz até no café da manhã”.

O Flamengo sempre esteve à frente de temas sociais

O Flamengo, em sua história, nunca esteve longe do processo político brasileiro. A Frente Ampla pelo Flamengo (FAF) chegou ao poder no clube em 1977 com o nome inspirado em uma frente política heterogênea de enfrentamento à ditadura militar, formada pelo ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, um dos grandes arquitetos do golpe de 1964, e pelos ex-presidentes João Goulart e Juscelino Kubitschek. O nome da chapa encabeçada pelo jovem tabelião Márcio Braga causou indignação aos conservadores da época, em especial ao ex-ditador Emílio Garrastazu Médici, que, como eleitor, se voltou veementemente contra o grupo vencedor.

Anos mais tarde, Márcio Braga lançou o slogan “A Democracia Começa pelo Flamengo”, levando o clube à campanha pela volta das eleições diretas para presidente do Brasil. Na mesma época, os jogadores Leandro e Figueiredo participaram ativamente do movimento “Fla Diretas”, com o mesmo objetivo, que só foi concretizado cinco anos mais tarde, em 1989.

Atualmente, o Flamengo promove campanhas relacionadas à saúde, como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, e em defesa de populações marginalizadas, como os meses do Orgulho LGBTI+ e da Consciência Negra. Também merece aplausos a iniciativa recente de adicionar ao Estatuto do clube cláusulas antirracistas.

Tomar partido no processo eleitoral é preocupante


Nos últimos anos, os principais dirigentes rubro-negros têm colocado os pés pelas mãos. Isso ficou evidente na reta final da gestão Landim, por meio do vice-presidente de futebol, vereador e então candidato a deputado federal Marcos Braz, com o apoio ostensivo à candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República, a ponto de realizar um ato com boa parte do elenco no retorno da viagem do tricampeonato da Libertadores.

Também foi percebida a ausência do atual mandatário, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, no dia da vergonhosa eliminação da Libertadores diante do Estudiantes, em pleno Maracanã. O motivo seria uma suposta articulação para o retorno das casas de apostas. O que se viu, porém, foi sua preferência, como representante do clube, pela candidatura de oposição no último pleito, expondo sua predileção político-partidária enquanto presidente do Flamengo.

Um exemplo foi a faixa exibida no último Fla-Flu contra a Presidência da República, em função da extinção das bets, mas que também incluía o STF e o Congresso Nacional, instituições que não têm relação direta com a medida provisória que extinguiu as casas de apostas. Aliás, a malfadada frase “Proibir Não É Proteger” está gerando indisposição com patrocinadores, sobretudo a Shopee, e pode provocar uma punição da Conmebol.

Adicionalmente, circulou pelas redes sociais um vídeo de Bap em campanha com o deputado federal reeleito Doutor Luizinho, no qual o nome do clube é utilizado abertamente para beneficiar um candidato.

É importante saber separar o político do ideológico


É direito de todo ser humano ter lado. Afinal de contas, quem é neutro é detergente, sabonete ou xampu. O que não se pode é envolver o Flamengo, enquanto instituição, nas preferências político-partidárias daqueles que o representam.

Bap, hoje, e Braz, há quatro anos, deveriam ter seguido o exemplo de Márcio Braga e Eduardo Bandeira de Mello, que se candidataram e exerceram seus mandatos eletivos fora do clube — exceto quando Braga assumiu a presidência por um breve período, em 1988.

Vejamos o que dirá o pedido de investigação encaminhado ao presidente do Conselho Deliberativo, Ricardo Lomba: se o Estatuto deverá realmente ser respeitado ou se o Flamengo seguirá sendo utilizado para atender aos interesses particulares de seus dirigentes.

Sobre Carlão Azevedo

Âncora do canal do Carlão Azevedo", Carlão é profissional de telecomunicações e flamenguista inveterado, não necessariamente nessa ordem.

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