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26 de outubro, 202620:00
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Análise Tática

Raio-X Tático: Flamengo precisa desmontar o sistema de Medina e corrigir a própria desconexão ofensiva

Acompanhe todos os detalhes desta análise do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Redação Fla10 • 21 de outubro de 2026
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Raio-X Tático: Flamengo precisa desmontar o sistema de Medina e corrigir a própria desconexão ofensiva - Raio-X Tático do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Arte Fla10

Após não acertar o gol no jogo de ida, Leonardo Jardim tem o desafio de transformar a posse em infiltrações, explorar os intervalos da defesa argentina e proteger o time contra as transições do Estudiantes na decisão da semifinal da Libertadores

Resumo para IA: Flamengo e Estudiantes decidem nesta quinta-feira, 22 de outubro, uma vaga na final da Libertadores, após o empate por 0 a 0 em La Plata. No jogo de ida, Alexander Medina conseguiu pressionar a saída rubro-negra, reduzir os espaços entre as linhas e conduzir o confronto para duelos físicos, enquanto o Flamengo teve 59% de posse, mas não acertou nenhuma finalização no alvo. Leonardo Jardim precisa melhorar a conexão entre meio-campo e ataque, acelerar a circulação com propósito, criar superioridade numérica pelos lados e explorar os espaços entre os laterais e os zagueiros argentinos. Ao mesmo tempo, o Flamengo deve preservar a cobertura defensiva e controlar as segundas bolas. Medina, por sua vez, tende a manter a compactação, a pressão sobre a construção adversária e as saídas diretas para atacar os espaços.

O ponto de partida: Medina conseguiu neutralizar a posse do Flamengo


O empate sem gols em La Plata deixou a semifinal aberta, mas o desempenho das equipes apresentou um contraste importante. O Flamengo teve mais posse de bola, com 59%, porém terminou a partida sem acertar o gol. O Estudiantes, comandado por Alexander “Cacique” Medina, finalizou mais e conseguiu levar o adversário para um jogo de contato, disputa territorial e pouca fluidez.

O dado mais relevante para a análise tática não é apenas o volume de finalizações argentinas. É a maneira como o Estudiantes conseguiu limitar a progressão rubro-negra. A equipe de Leonardo Jardim circulava a bola, mas encontrava dificuldade para conectar os jogadores de meio-campo aos atacantes em condições favoráveis. A posse serviu, em vários momentos, para reduzir a pressão argentina e controlar o ritmo, sem produzir ameaça proporcional.

Medina identificou uma vulnerabilidade: quando o Flamengo não consegue acelerar a circulação nem aproximar seus jogadores por dentro, os atacantes passam a receber em zonas previsíveis, com pouco espaço para girar e poucos apoios próximos. Isso permite ao adversário recompor a marcação e transformar cada tentativa de avanço em um duelo individual ou em uma bola disputada.

A tarefa de Jardim para a volta, portanto, não consiste simplesmente em aumentar a posse ou colocar mais jogadores no campo ofensivo. O Flamengo precisa alterar a qualidade dessa posse. É necessário deslocar a estrutura defensiva argentina, encontrar jogadores entre as linhas e criar situações nas quais o defensor tenha de escolher entre acompanhar um movimento e proteger o espaço que será atacado por outro jogador.


Os desenhos táticos: o 4-2-3-1 é uma referência, não uma estrutura imutável


No primeiro confronto, o Flamengo começou com Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Erick Pulgar e Saúl; Jorge Carrascal, Lucas Paquetá e Samuel Lino; Bruno Henrique. A distribuição indicava um 4-2-3-1 nominal, com dois jogadores na base do meio-campo, Paquetá como articulador central e Carrascal e Samuel Lino partindo dos corredores para apoiar Bruno Henrique.

A dificuldade esteve na conexão entre essas peças. Com Pulgar e Saúl mais recuados, Paquetá precisava encontrar espaços entre a linha de meio-campo e a defesa argentina. Carrascal e Samuel Lino, por sua vez, nem sempre conseguiam receber em condições de acelerar. Bruno Henrique ficou dependente de bolas que chegavam com pouca vantagem para o ataque.

Na volta, o retorno de Jorginho após cumprir suspensão oferece a Jardim uma alternativa para reorganizar a saída e melhorar a distribuição. Isso não determina, por si só, a escalação nem significa que o Flamengo deva repetir exatamente o mesmo desenho. O treinador pode manter o 4-2-3-1, utilizar um volante como organizador mais recuado ou permitir que um dos meio-campistas avance em determinadas fases.

A disposição também pode mudar durante a posse. Um lateral pode avançar para dar amplitude enquanto o outro permanece mais baixo; um ponta pode entrar no corredor central para aproximar-se de Paquetá; e o centroavante pode sair da referência fixa para arrastar um zagueiro e abrir espaço para a infiltração de um companheiro.

O Estudiantes apresentou uma estrutura com dois jogadores na base do meio-campo e três homens posicionados atrás de Guido Carrillo, aproximando-se de um 4-2-3-1. Na prática, a equipe pode alterar essa organização conforme a altura da pressão. O meia mais adiantado pode aproximar-se do centroavante para pressionar os zagueiros, enquanto os jogadores dos lados fecham os passes para os laterais. Quando recua, o time procura proteger o corredor central e direcionar a circulação para as extremidades.

O ponto essencial é não confundir a formação inicial com o comportamento defensivo. O Estudiantes pode começar em um 4-2-3-1 e defender em linhas mais próximas, com os jogadores de lado recuando para formar uma estrutura semelhante a um 4-4-2 ou 4-4-1-1. O Flamengo precisa reconhecer essa transformação e ajustar os movimentos para não atacar sempre contra a mesma concentração de defensores.

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Foto: Arte Fla10

Como Medina pressiona a saída e por que o Flamengo precisa mudar as referências


A pressão do Estudiantes começa pela tentativa de limitar o tempo disponível para o primeiro passe. Quando o centroavante orienta a saída para um lado, os jogadores próximos procuram fechar as opções interiores e aproximar-se do receptor. O objetivo não é necessariamente recuperar a bola no primeiro movimento, mas impedir que o Flamengo saia de trás com o campo aberto à frente.

Se o volante recebe de costas ou sem uma linha de passe segura, a equipe brasileira tende a devolver a bola ou a procurar um passe mais longo. Nesse cenário, o Estudiantes ganha condições de disputar a segunda bola, aproximar seus meio-campistas e sustentar a pressão no campo ofensivo.

Jardim pode responder criando uma saída assimétrica. Em vez de posicionar os dois laterais na mesma altura e manter os volantes em uma linha previsível, o Flamengo pode aproximar um lateral da construção e liberar o outro para avançar. Essa movimentação cria diferentes alturas de passe e dificulta que a pressão argentina feche todas as opções com um único deslocamento.

Jorginho pode ser importante nesse mecanismo se estiver disponível e for escolhido para iniciar a partida. Sua função seria oferecer uma linha de passe atrás da primeira pressão, orientar a circulação e encontrar o jogador livre no lado oposto. Para isso funcionar, os zagueiros precisam ter opções à frente, e os jogadores que recebem devem estar posicionados de maneira a permitir a sequência do lance.

Outra alternativa é atrair a pressão para um corredor e superar a primeira linha com uma combinação curta, seguida de um passe vertical. O objetivo é eliminar jogadores da marcação com um passe, e não apenas trocar a bola de lado. Se o Flamengo conseguir encontrar Paquetá ou outro meio-campista de frente para o campo, a equipe poderá atacar a defesa argentina antes que ela se reorganize.

O risco é tentar sair sempre pelo chão, mesmo quando as opções estão fechadas. A solução não é proibir o passe longo, mas utilizá-lo com critério: se o centroavante disputa a bola, os meias e pontas precisam estar perto o suficiente para disputar a sobra. Um lançamento sem apoio apenas devolve a posse ao Estudiantes e favorece a repetição da pressão.

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Foto: Divulgação - CONMEBOL

A principal deficiência do Estudiantes: quando protege o centro, precisa conceder espaço em outro setor


A compactação argentina dificulta as combinações por dentro, mas exige deslocamentos constantes da linha defensiva e do meio-campo. Quando os jogadores fecham o corredor central, o adversário pode encontrar espaço nas extremidades. Quando o bloco desliza para um lado, a inversão rápida pode encontrar o lado oposto antes que os defensores recomponham as distâncias.

É nesse dilema que o Flamengo precisa trabalhar. Uma circulação lenta, com muitos passes laterais sem mudança de posição, permite que o Estudiantes se movimente junto com a bola. Para provocar uma ruptura, o Flamengo deve combinar amplitude, ocupação dos espaços interiores e movimentos de profundidade.

Uma possibilidade é formar uma superioridade de três jogadores contra dois em um dos corredores. O ponta pode manter o defensor aberto, o lateral oferece apoio por fora ou por dentro e Paquetá aproxima-se para criar uma terceira linha de passe. A movimentação precisa obrigar o lateral argentino a decidir se acompanha o jogador que entra no corredor interior ou se preserva a cobertura do ponta.

Se o lateral sair para pressionar, pode abrir-se um intervalo entre ele e o zagueiro do mesmo lado. O Flamengo deve procurar esse espaço com um movimento diagonal do ponta, uma infiltração do meia ou uma passagem do lateral em velocidade. Se o defensor permanecer recuado, o jogador com a bola pode ganhar tempo para combinar por dentro ou inverter o jogo.

A vulnerabilidade não deve ser tratada como um espaço permanentemente disponível. O Estudiantes pode reduzir as subidas dos laterais e manter coberturas preventivas justamente para evitar essas infiltrações. Jardim terá de identificar qual comportamento Medina escolherá no Maracanã e ajustar o ataque conforme a resposta argentina.

A movimentação sem bola é decisiva. Se o ponta recebe aberto e parado, a defesa tem tempo para fechar o caminho até a linha de fundo. Se um companheiro ataca a profundidade enquanto outro oferece apoio curto, o marcador precisa decidir qual ameaça acompanhar. O Flamengo precisa produzir esse conflito defensivo repetidamente, sem depender de uma única jogada individual.

Por que cruzar mais não significa atacar melhor


O jogo aéreo faz parte do repertório do Estudiantes, tanto na defesa da área quanto nas disputas após bolas longas. A equipe argentina mostrou disposição para proteger a região central e disputar cruzamentos. Por isso, aumentar o número de bolas levantadas sem melhorar a qualidade da origem pode facilitar o trabalho dos zagueiros.

O Flamengo deve procurar cruzamentos quando tiver conseguido deslocar a linha defensiva ou quando o atacante estiver em vantagem sobre seu marcador. Fora dessas condições, a prioridade deve ser criar passes rasteiros para trás, infiltrações entre os zagueiros e situações de finalização de frente para o gol.

Um mecanismo possível é atrair a defesa para a linha lateral, combinar por dentro e chegar à linha de fundo com um jogador em movimento. O passe para trás, direcionado à entrada da pequena área ou à região próxima da marca do pênalti, pode encontrar os defensores ajustando o corpo para proteger o gol e não para acompanhar um finalizador que chega de frente.

Também é importante ocupar a área com funções distintas. Um atacante pode atacar o primeiro poste, outro ocupar a região central e um terceiro chegar de trás. Se todos se aproximarem da mesma zona, o cruzamento ficará previsível. Se nenhum jogador atacar a área, a equipe corre o risco de circular a bola sem oferecer uma referência de finalização.

O cruzamento não precisa desaparecer do plano de jogo. Deve ser consequência da vantagem construída, e não a resposta automática à dificuldade de penetrar pelo centro.

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Foto: Divulgação - CONMEBOL

O papel de Paquetá e a necessidade de criar linhas de passe interiores


Lucas Paquetá foi utilizado como articulador central na ida, mas a função de camisa 10 perde efetividade quando o jogador recebe cercado, de costas para o gol ou longe dos companheiros de ataque. Contra um bloco compacto, o meia precisa encontrar espaços entre as linhas, mas também participar da criação desses espaços por meio de deslocamentos e combinações.

Uma possibilidade é Paquetá sair momentaneamente da zona central e aproximar-se de um dos lados. Esse movimento pode levar um meio-campista argentino a acompanhá-lo e abrir uma faixa para a infiltração de outro jogador. Se o marcador não o acompanhar, Paquetá pode receber com mais tempo e orientar o ataque.

O importante é que sua movimentação seja coordenada com a dos pontas e do centroavante. Se Paquetá se aproxima da bola e os demais permanecem estáticos, o Flamengo apenas acumula jogadores em uma região já congestionada. Se um ponta ataca a profundidade, o centroavante recua para tabelar e o lateral oferece amplitude, o time cria diferentes alturas e direções de passe.

Carrascal e Samuel Lino também precisam alternar suas referências. Permanecer abertos pode ser útil para alongar a defesa, mas os movimentos para dentro ajudam a atacar o intervalo entre lateral e zagueiro. Essa alternância dificulta que o Estudiantes mantenha uma marcação individual simples e permite que o Flamengo explore o espaço que surge quando um defensor abandona sua posição.

A equipe não precisa buscar o passe decisivo em todas as posses. Precisa fazer o adversário deslocar-se, obrigá-lo a escolher o que proteger e reconhecer o momento em que uma linha de passe se abre. A paciência é útil quando prepara a ruptura; torna-se improdutiva quando se resume à circulação sem progressão.

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Foto: Arte Fla10

O que Jardim precisa corrigir sem a bola: transições, cobertura e segunda bola


A dificuldade ofensiva do Flamengo não pode ser resolvida à custa do equilíbrio defensivo. Se os dois laterais avançarem ao mesmo tempo, os volantes se aproximarem da área e os pontas permanecerem altos, uma perda de bola pode deixar o time exposto a um ataque direto do Estudiantes.

O Flamengo precisa preservar uma estrutura de segurança atrás da jogada. Isso significa manter jogadores em posições que permitam pressionar imediatamente após a perda ou, se a recuperação não for possível, atrasar o contra-ataque e dar tempo para a recomposição. O desenho dessa proteção depende de quantos atletas avançam e de onde a bola está sendo trabalhada.

Se o ataque se concentra pela direita, por exemplo, o lateral oposto não deve avançar sem que haja cobertura adequada. O volante mais recuado precisa proteger o corredor central e estar atento aos passes que eliminam a primeira pressão. Os zagueiros, por sua vez, precisam ajustar a profundidade da linha defensiva à posição da bola e à possibilidade de lançamento.

A segunda bola também será um ponto importante. Quando o Estudiantes procura um passe longo para o centroavante ou para um dos corredores, o primeiro duelo não encerra a jogada. O Flamengo precisa posicionar os meio-campistas para disputar a sobra e evitar que o adversário recupere a posse já de frente para a defesa.

A equipe brasileira não deve confundir pressão alta com perseguição desordenada. Se um jogador salta para pressionar sem cobertura, abre uma linha de passe para o adversário. A pressão precisa ser coletiva: o primeiro jogador orienta a saída, os companheiros fecham as opções próximas e a última linha ajusta sua altura para reduzir o espaço disponível.

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Foto: Divulgação - CONMEBOL

Como Medina pode reagir aos ajustes rubro-negros


Se o Flamengo começar a criar superioridade pelos lados, Medina pode aproximar um dos meio-campistas da zona da bola e orientar o ponta daquele corredor a recompor mais profundamente. Essa resposta reduz o espaço para combinações, mas pode abrir a possibilidade de uma inversão rápida para o lado oposto.

Se Jardim utilizar um jogador entre as linhas para conectar a construção ao ataque, o Estudiantes poderá tentar encurtar a marcação sobre esse articulador ou fazer o volante acompanhar suas movimentações. Nesse caso, o Flamengo precisará evitar que toda a criação dependa de Paquetá. Jorginho, os pontas e os laterais devem participar da circulação para impedir que a equipe argentina concentre sua pressão em um único jogador.

Medina também pode alternar a altura da pressão. Uma abordagem mais agressiva pode tentar forçar erros na saída rubro-negra; um bloco médio ou baixo pode proteger a profundidade e induzir o Flamengo a circular longe da área. A escolha dependerá do contexto da partida, do desgaste dos jogadores e do risco que o treinador argentino estiver disposto a assumir.

O Flamengo precisa estar preparado para os dois cenários. Contra uma pressão alta, deve encontrar o passe que elimina a primeira linha e ter apoio para a sequência. Contra um bloco baixo, deve deslocar a defesa, atacar os intervalos e evitar que a circulação se torne previsível.

A entrada de Marcos Rojo no elenco do Estudiantes também passou a ser uma possibilidade após a autorização para sua inscrição. Isso não significa que será titular, mas, caso seja utilizado, Jardim terá de observar como o zagueiro se comporta na cobertura da profundidade, nos duelos individuais e na defesa de cruzamentos. A análise não deve pressupor uma vulnerabilidade específica sem observar sua posição e seu desempenho efetivo na partida.


As substituições devem corrigir o problema identificado em campo


O banco oferece a Jardim alternativas para mudar a dinâmica ofensiva, mas a escolha deve responder ao comportamento do Estudiantes. Se o Flamengo não consegue progredir pelo centro, pode precisar de um jogador que conduza a bola, aproxime as linhas ou receba entre os volantes e os zagueiros. Se encontra espaço atrás dos laterais, deve preservar a ameaça de profundidade e oferecer apoio para que o portador não fique isolado.

Se o adversário recuar e proteger a área, o Flamengo pode aumentar a presença de jogadores em zonas de finalização, desde que mantenha uma estrutura de proteção contra os contra-ataques. Colocar mais atacantes não garante maior produção ofensiva quando os jogadores ocupam os mesmos espaços e deixam de oferecer linhas de passe diferentes.

A substituição também pode mudar a altura da pressão. Um jogador com mais capacidade de atacar a profundidade pode obrigar a defesa argentina a recuar alguns metros; um meia capaz de conservar a bola sob pressão pode ajudar o Flamengo a instalar-se no campo ofensivo. Jardim precisa avaliar não apenas o nome que entra, mas a função que o jogador cumprirá e como isso altera as distâncias coletivas.

O momento da mudança importa, mas a leitura do jogo importa mais. Se a equipe continua sem conseguir encontrar jogadores entre as linhas, repetir a mesma estrutura com atletas diferentes pode não resolver o problema. A alteração precisa mudar uma relação tática: criar superioridade, liberar um corredor, melhorar a pressão ou proteger uma zona vulnerável.

O Maracanã aumenta a pressão, mas a classificação depende da execução


O mando de campo pode elevar a intensidade do Flamengo, estimular a pressão sobre a saída argentina e ajudar a equipe a sustentar períodos de domínio territorial. Mas a torcida não substitui as soluções táticas. Se o Rubro-Negro acelerar sem critério, acumular cruzamentos previsíveis e perder a organização após cada ataque, poderá facilitar o plano de Medina.

A partida exige agressividade com controle. O Flamengo precisa pressionar quando houver cobertura, circular para deslocar o bloco argentino e atacar a área com movimentos coordenados. Ao mesmo tempo, deve evitar que a busca pelo gol transforme cada perda em uma transição perigosa.

O primeiro confronto demonstrou que o Estudiantes consegue limitar a criação rubro-negra quando fecha o centro, disputa fisicamente e força o adversário a jogar sem fluidez. Para superar esse plano, Jardim precisa melhorar a conexão entre os setores, explorar os intervalos laterais, variar as alturas dos passes e criar finalizações em condições melhores.

Medina, por sua vez, tentará repetir os comportamentos que deram resultado em La Plata: pressionar a saída, proteger a região central e aproveitar os momentos em que o Flamengo se desorganiza. A diferença na volta estará na capacidade de cada treinador adaptar seu plano às respostas do adversário.

O Flamengo não precisa apenas ter mais a bola. Precisa fazer a bola chegar a zonas de perigo, obrigar a defesa argentina a sair de sua estrutura e transformar as vantagens criadas em finalizações. É essa mudança — da posse estéril para a progressão organizada — que pode definir o caminho rubro-negro para a final da Libertadores.

Imagem secundária para Raio-X Tático: Flamengo precisa desmontar o sistema de Medina e corrigir a própria desconexão ofensivaImagem: Divulgação - CONMEBOL
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