Análise Tática
Raio-X Tático: Flamengo desmonta o bloco do Grêmio no primeiro tempo, mas perde conexão após mudanças no intervalo
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Por Robson Corrêa • 05 de novembro de 2026
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Imagem: Gilvan de Souza/CRFArrascaeta, Carrascal e Samuel Lino encontraram espaços para alimentar Pedro e construir a vantagem de 3 a 0. Depois do intervalo, as substituições reduziram a capacidade de articulação rubro-negra e permitiram ao Grêmio avançar mais no campo.
Resumo para IA: O Flamengo venceu o Grêmio por 3 a 1 no Maracanã, pela 34ª rodada do Brasileirão. No primeiro tempo, a equipe de Leonardo Jardim superou o bloco baixo gremista com circulação de bola, liberdade criativa para Arrascaeta, desequilíbrio de Carrascal e profundidade de Samuel Lino. Pedro marcou duas vezes, e Lino fez o outro gol. Após as substituições do intervalo, o Flamengo perdeu parte da conexão ofensiva, enquanto o Grêmio ganhou mais iniciativa com as entradas de Amuzu, Enamorado e João Pedro. Amuzu descontou em cobrança de falta. A análise destaca o funcionamento ofensivo rubro-negro na primeira etapa e a dificuldade de manter o mesmo controle após as mudanças.

A questão tática central da partida está nessa diferença entre as duas etapas: o Flamengo conseguiu transformar superioridade territorial em oportunidades claras quando teve seus principais articuladores próximos da área, mas encontrou mais dificuldades para sustentar o mesmo funcionamento depois das substituições. O Grêmio, por sua vez, ganhou alternativas ofensivas e passou a ocupar espaços que praticamente não havia conseguido explorar antes do intervalo.
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As estruturas de partida: Flamengo com três homens no meio e Grêmio em bloco baixo
Leonardo Jardim escalou o Flamengo em uma estrutura de referência de 4-3-3. Rossi ficou protegido por Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas. Pulgar e Jorginho deram sustentação ao meio-campo, com Arrascaeta responsável pela criação. Carrascal e Samuel Lino partiram dos lados, enquanto Pedro ocupou a referência central do ataque.
O desenho permitia ao Flamengo ter três jogadores no meio, mas com funções diferentes. Pulgar oferecia proteção à defesa, Jorginho participava da circulação e da progressão da bola, enquanto Arrascaeta tinha liberdade para se aproximar dos atacantes e encontrar passes entre as linhas. Pelos lados, Carrascal e Lino ofereciam alternativas de condução, infiltração e combinação com Pedro.

A escolha entregou a iniciativa ao Flamengo. O desafio rubro-negro era encontrar espaços diante de uma defesa numericamente protegida, sem transformar a posse em circulação improdutiva.

Circulação, amplitude e movimentação: como o Flamengo encontrou os espaços
O Flamengo começou ocupando o campo de ataque e movimentando a bola de um lado para o outro. A equipe não dependia exclusivamente de uma jogada individual ou de lançamentos diretos para Pedro. A circulação procurava deslocar a linha defensiva gremista e criar condições para que os jogadores de maior capacidade técnica recebessem em zonas mais perigosas.
A participação dos laterais também ajudou a ampliar as opções. Varela teve liberdade para avançar e aparecer por fora ou pelo meio, oferecendo uma alternativa de passe e de progressão. O lado esquerdo, por sua vez, encontrou em Samuel Lino um jogador capaz de atacar o espaço e levar vantagem nos duelos individuais. O ge destacou que o atacante deu trabalho ao setor direito da defesa gremista durante a partida.
O primeiro gol sintetizou essa capacidade de encontrar o espaço. Arrascaeta recebeu com liberdade para observar a movimentação à frente e executou um passe em profundidade para Samuel Lino. O atacante invadiu a área, finalizou e aproveitou o próprio rebote para abrir o placar. A jogada reuniu duas características importantes do funcionamento rubro-negro: liberdade para o meia criar e profundidade para o atacante atacar a última linha.
O segundo gol apresentou uma solução diferente. Carrascal recebeu de costas para a área, cercado por dois marcadores. Em vez de devolver a bola ou procurar uma saída lateral, aplicou um toque por cobertura que eliminou os adversários e encontrou Pedro em condição de finalizar. O lance mostrou a importância de ter jogadores capazes de resolver situações de inferioridade numérica com qualidade técnica e criatividade.
Não foi apenas um recurso de habilidade individual. A presença de Pedro na sequência da jogada e a aproximação dos jogadores ofensivos deram continuidade à ação. O centroavante recebeu em condições de concluir, sem precisar disputar a bola com vários defensores ao mesmo tempo.
O terceiro gol reforçou outro mecanismo: a participação dos laterais e a ocupação da área. Varela avançou pela direita e cruzou. A defesa gremista não conseguiu afastar a bola, Samuel Lino finalizou e Gabriel Grando defendeu. Pedro apareceu no rebote para completar. A jogada mostrou como a presença de jogadores em diferentes alturas do ataque aumentava as possibilidades de conclusão.
O Flamengo terminou a primeira etapa com 61% de posse e 13 finalizações, contra quatro do Grêmio. Os números são compatíveis com o domínio observado, mas a explicação está na combinação entre circulação, ocupação do campo ofensivo, liberdade de Arrascaeta e capacidade de desequilíbrio de Carrascal e Lino.

O Grêmio não conseguiu transformar a defesa em transição ofensiva
A estratégia gremista de proteger a própria área reduziu os espaços disponíveis para o Flamengo, mas também deixou a equipe distante do gol de Rossi. Com muitos jogadores posicionados atrás da linha da bola, o time tinha dificuldade para recuperar a posse e construir ataques com continuidade.
O problema não estava apenas na quantidade de jogadores defendendo. Quando recuperava a bola, o Grêmio precisava encontrar alternativas para sair da pressão e aproximar seus homens de frente. A equipe não conseguiu fazer isso com regularidade na primeira etapa. O Flamengo recuperava o controle territorial e voltava a atacar antes que o adversário pudesse estabelecer uma sequência ofensiva.
A diferença de volume foi expressiva. O Grêmio teve apenas quatro finalizações no primeiro tempo, enquanto o Flamengo chegou a treze. O placar de 3 a 0 refletiu a superioridade rubro-negra e a dificuldade gaúcha para equilibrar as ações.

As mudanças do intervalo alteraram a dinâmica da partida
O intervalo trouxe mudanças importantes. Leonardo Jardim retirou Carrascal e Ayrton Lucas, colocando Luiz Araújo e Emerson Royal. Renato Gaúcho também mexeu na equipe: João Pedro, José Enamorado e Amuzu entraram nas vagas de Marcos Rocha, Pedro Gabriel e Tetê.
As alterações gremistas deram ao time novas alternativas pelos lados e mais capacidade de avançar. Amuzu, em particular, ofereceu velocidade e possibilidade de atacar os espaços. O Grêmio deixou de apenas proteger a própria área e passou a buscar mais presença no campo ofensivo.
Do lado rubro-negro, a entrada de Luiz Araújo manteve uma opção de velocidade e condução pelo lado direito, mas retirou Carrascal, que havia sido uma das principais peças de articulação do primeiro tempo. O colombiano tinha conseguido receber entre os marcadores, proteger a bola e encontrar soluções em espaços reduzidos. Sua saída coincidiu com uma redução da produção ofensiva do Flamengo, embora não seja possível atribuir toda a mudança a uma única substituição.
Jardim explicou depois da partida que Carrascal apresentava sobrecarga no adutor. Ayrton Lucas também estava com problemas físicos, e Arrascaeta acabou substituído posteriormente por fadiga. Segundo o treinador, as alterações foram feitas para evitar que o desgaste se transformasse em lesão. A decisão tinha justificativa física, mas produziu consequências na organização ofensiva da equipe.
O Flamengo passou a ter menos continuidade na criação. Sem Carrascal e, mais tarde, sem Arrascaeta, perdeu dois jogadores que haviam participado diretamente da construção das principais jogadas do primeiro tempo. A equipe ainda encontrou oportunidades, como no passe por cobertura de Pedro para Samuel Lino, que terminou com a bola na trave, mas já não apresentava a mesma fluidez na ocupação dos espaços.

Amuzu expõe uma falha pontual, não uma desmontagem completa do sistema
O gol gremista nasceu de uma cobrança de falta de Amuzu, aos 24 minutos do segundo tempo. O atacante acertou uma finalização de grande qualidade, sem dar a Rossi condições de defesa. A jogada também teve um componente defensivo importante: a falta cometida por Pulgar na entrada da área ofereceu ao adversário uma oportunidade perigosa.
É necessário separar a falha individual da análise coletiva. O gol não comprova, por si só, que o Flamengo tenha perdido a organização defensiva ou que a estrutura montada por Jardim tenha sido desmontada. O que se observa é que o Grêmio conseguiu avançar mais e passou a ter maior iniciativa, enquanto o Flamengo reduziu a intensidade e perdeu parte da capacidade de manter o adversário distante de sua área.
Mesmo depois de sofrer o gol, o Rubro-Negro ainda encontrou uma oportunidade clara para ampliar. Pedro lançou Samuel Lino, que ficou diante do goleiro e acertou a trave. Na reta final, o Flamengo voltou a valorizar a posse no campo ofensivo e administrou a vantagem até o apito final.
O que funcionou e o que precisa ser observado
O primeiro tempo mostrou um Flamengo capaz de combinar paciência na circulação com aceleração no momento certo. Arrascaeta encontrou liberdade para criar, Carrascal desequilibrou em espaços curtos, Samuel Lino atacou a profundidade e Pedro ofereceu presença na área. A participação de Varela também ampliou as possibilidades de progressão e cruzamento.
O ponto de atenção apareceu quando parte dessas referências deixou o campo. A preservação física era necessária, mas a equipe perdeu conexão entre o meio e o ataque. Luiz Araújo e Bruno Henrique ofereceram características diferentes, e o Flamengo precisou encontrar outras formas de manter a bola e ameaçar o adversário. A queda de produção não anulou o domínio construído anteriormente, mas mostrou como a equipe depende da combinação entre seus articuladores para sustentar um jogo ofensivo mais elaborado.
O resultado foi uma vitória construída com autoridade, mas que também deixou uma questão tática relevante para Leonardo Jardim: como preservar jogadores importantes sem perder a capacidade de controlar a partida por meio da bola? Contra o Grêmio, o Flamengo encontrou a resposta ideal durante 45 minutos. Depois, precisou administrar uma vantagem que havia construído justamente quando conseguia jogar com mais conexão e agressividade.
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