Raio-X Tático: Independiente del Valle: 5 perigos que Leonardo Jardim precisa neutralizar para avançar na Libertadores
Acompanhe todos os detalhes desta análise do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.
Imagem: Gilvan de Souza/CRFAdversário rubro-negro chega às quartas de final com campanha sólida e mostrou contra o Tolima um repertório que pode colocar o Flamengo em dificuldades; duelo começa em Quito e será decidido no Maracanã
O primeiro encontro será nesta quinta (10), no Estádio Olímpico Atahualpa, em Quito. Uma semana depois, em 17 de setembro, os dois times voltam a se enfrentar no Maracanã, no mesmo horário.
A classificação do Del Valle não foi construída apenas pela superioridade técnica. Nos dois jogos contra o Tolima, o time equatoriano apresentou diferentes maneiras de controlar a eliminatória: soube jogar com vantagem fora de casa, teve capacidade para acelerar quando encontrou espaços e mostrou eficiência para transformar domínio territorial em gols.
Para Leonardo Jardim, portanto, não será suficiente preparar o Flamengo para um único cenário.
O Rubro-Negro precisará estar preparado para cinco problemas principais.

1. A pressão sobre a saída de bola
O primeiro desafio começa antes mesmo do Flamengo pensar em atacar.
O Independiente del Valle é uma equipe que gosta de incomodar a construção adversária e pode subir suas linhas em determinados momentos para forçar o erro na primeira fase da saída.
Esse comportamento é particularmente perigoso para o Flamengo porque Leonardo Jardim constrói grande parte de seu jogo a partir da posse e da circulação desde a defesa.
Quando o adversário consegue bloquear os primeiros passes, o Rubro-Negro pode ser obrigado a acelerar uma jogada que normalmente gostaria de construir com mais paciência.
E é justamente nesse momento que surgem os riscos.
Contra o Tolima, o Del Valle mostrou que não precisa manter pressão máxima durante os 90 minutos. Pode alternar momentos de pressão com um bloco mais compacto, esperando o erro para acelerar.
O Flamengo terá de decidir quando sair jogando curto e quando utilizar uma bola mais longa.
Não será apenas uma batalha pela posse. Será uma batalha pelo controle da primeira bola.
Se o Flamengo conseguir superar a primeira pressão, terá espaço para atacar uma equipe que, naturalmente, deixará jogadores à frente da linha da bola.
Se perder a posse na saída, poderá oferecer ao Del Valle exatamente o cenário que ele deseja.
2. O jogo entre linhas pode ser o grande duelo da eliminatória
O segundo problema está no espaço entre meio-campo e defesa.
O Independiente del Valle possui jogadores capazes de circular nessa região e receber de frente para o gol.
É aí que a organização defensiva do Flamengo será colocada à prova.
O Rubro-Negro não poderá permitir que os jogadores equatorianos recebam livremente entre as linhas, especialmente porque uma recepção nesse setor pode desencadear duas situações perigosas: o passe vertical para Carlos González ou a abertura rápida para os corredores.
A solução passa por compactação.
Os volantes precisarão encurtar o espaço para os meias.
Os zagueiros não poderão sair da linha de maneira precipitada.
E os jogadores ofensivos terão de participar da recomposição.
Esse último ponto é fundamental.
Se Arrascaeta, Carrascal, Samuel Lino ou Luiz Araújo ficarem muito distantes do meio-campo durante a perda da bola, o Flamengo poderá abrir um corredor central para o adversário.

O Del Valle não precisa dominar a posse para controlar o jogo.
Pode fazer isso encontrando os espaços certos.
3. Os corredores laterais exigirão atenção redobrada
O terceiro perigo está nos lados do campo.
O Independiente del Valle utiliza os corredores para ampliar a estrutura ofensiva e criar situações de superioridade.
Quando a bola chega à lateral, os equatorianos podem combinar movimentos entre ponta, lateral e meio-campista para tirar o defensor de posição.
Esse mecanismo pode ser especialmente perigoso contra um Flamengo que gosta de avançar seus laterais.
Existe uma consequência lógica: quanto mais o lateral rubro-negro avançar, maior será o espaço deixado às suas costas.
Leonardo Jardim terá de controlar esse equilíbrio.
Não adianta impedir o Del Valle de construir pelo centro se o Flamengo permitir que o adversário receba livremente pelos lados.
Por outro lado, recuar excessivamente os laterais significaria reduzir uma das principais armas ofensivas do próprio Flamengo.
A solução deverá ser coletiva.
Quando um lateral avançar, alguém precisará proteger seu espaço.
Quando o ponta fechar por dentro, o lateral poderá dar amplitude.
E quando a equipe perder a bola, a recomposição terá de acontecer imediatamente.
O duelo pelos corredores pode definir quem conseguirá empurrar o adversário para trás.
4. A transição defensiva será o grande teste do Flamengo
Talvez este seja o ponto mais importante de toda a eliminatória.
O Flamengo tem qualidade suficiente para controlar grande parte da posse contra o Del Valle.
Mas controlar a bola não significa necessariamente controlar o jogo.
O perigo aparecerá justamente quando o Rubro-Negro perder a posse.
Se o Flamengo estiver com muitos jogadores à frente da linha da bola, o Del Valle poderá atacar rapidamente os espaços deixados na transição.
E esse é um cenário que Leonardo Jardim precisa evitar.
A equipe terá de fazer aquilo que os grandes times de mata-mata fazem: atacar sem perder a estrutura defensiva.
Isso significa que pelo menos um dos volantes precisará permanecer em posição de cobertura.
Os zagueiros terão de controlar a profundidade.
E os laterais não poderão subir simultaneamente em todas as jogadas.
A função de Pulgar e Jorginho será especialmente importante.
O volante que ficar mais recuado terá de funcionar como uma espécie de "seguro" da equipe.
Se o Flamengo perder a bola, ele será o primeiro jogador responsável por interromper o contra-ataque ou retardar a progressão adversária.
É aqui que a eliminatória pode ser ganha ou perdida.
O Flamengo provavelmente terá mais qualidade individual.
Mas, se oferecer transições ao Del Valle, poderá transformar sua superioridade técnica em um problema.

5. Carlos González não pode receber conforto dentro da área
O quinto perigo tem nome e sobrenome.
Carlos González.
O centroavante foi um dos protagonistas da classificação equatoriana e chegou a sete gols na atual Libertadores, seis deles marcados durante a fase de grupos. Contra o Tolima, marcou novamente no jogo de volta e ajudou a fechar a série.
González é o tipo de atacante que transforma cruzamentos e bolas verticais em situações de perigo.
Não precisa de muitas oportunidades.
Por isso, Léo Pereira, Léo Ortiz, Danilo e Vitão — dependendo da formação escolhida — precisarão evitar que o atacante receba dentro da área com liberdade.
Mas existe uma questão ainda mais importante.
Não basta marcar González quando ele estiver com a bola.
O Flamengo precisará impedir o passe que o encontra.
Se os jogadores do Del Valle conseguirem levantar a cabeça e colocar a bola nas costas dos laterais ou entre os zagueiros, o centroavante terá exatamente o cenário que procura.
A defesa rubro-negra precisará controlar profundidade e área ao mesmo tempo.
E isso exige coordenação entre zagueiros e volantes.
O que o Flamengo pode explorar?
Até aqui, a análise parece colocar o Del Valle como uma equipe cheia de virtudes.
Mas existe outro lado.
O time equatoriano também precisará se preocupar com um ataque que oferece muito mais variedade do que o Tolima.
O Flamengo tem Pedro como referência, Arrascaeta e Paquetá para trabalhar entre linhas, Carrascal para quebrar linhas com condução e Samuel Lino para atacar espaços.
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Essa combinação pode produzir um problema que o Del Valle terá dificuldade para resolver.
Pedro pode fixar os zagueiros enquanto os meias atacam o espaço à sua frente.
Se os defensores equatorianos avançarem para acompanhar Arrascaeta ou Paquetá, poderão abrir espaço para Pedro.
Se permanecerem próximos do centroavante, os meias poderão receber entre as linhas.
E se o Del Valle fechar o corredor central, o Flamengo poderá utilizar os lados.
É justamente por isso que o retorno de Plata amplia as alternativas ofensivas do Rubro-Negro.
O Flamengo precisa transformar a posse em movimento
Um dos grandes erros que o Flamengo poderia cometer seria trocar intensidade por circulação estéril.
Ter 60% de posse não significa dominar uma partida.
Contra uma equipe organizada como o Del Valle, o Flamengo precisará movimentar a estrutura defensiva adversária.
Isso significa trocar posição, atrair pressão de um lado, mudar rapidamente o corredor, atacar o espaço criado e, principalmente, acelerar depois de encontrar uma vantagem.
Se a bola circular lentamente de um lado para o outro, o Del Valle terá tempo para reorganizar seu bloco.
Se a circulação for acompanhada de movimentação, o Flamengo poderá criar situações de superioridade.
Arrascaeta e Paquetá serão fundamentais
O papel de Arrascaeta e Paquetá pode ser decisivo.
Os dois possuem qualidade para receber entre linhas e encontrar passes que desmontam a estrutura adversária.
Mas existe uma condição: eles precisam receber em movimento.
Se ficarem estáticos atrás da linha de meio-campo, o Del Valle poderá controlar facilmente os espaços.
Se alternarem posições, aproximarem-se de Pedro e criarem dúvidas nos volantes equatorianos, a história muda.
É nesse cenário que Carrascal também pode ser importante.
O colombiano pode começar aberto e depois ocupar o corredor central, criando uma espécie de superioridade numérica.
A movimentação dos três poderá ser uma das principais armas do Flamengo.
Samuel Lino pode ser a chave para atacar a profundidade
Devido ao seu sucesso em suas recentes atuações desempenhando a função que Jardim lhe designou, Samuel Lino ganha ainda mais importância.
O português pode ser utilizado para atacar o espaço nas costas da defesa.
Essa característica será especialmente relevante contra o Del Valle.
Se o Flamengo conseguir atrair a linha equatoriana para frente, Lino poderá atacar o espaço criado.
E quanto mais o adversário precisar recuar para controlar essa ameaça, mais espaço aparecerá para Arrascaeta, Paquetá e Carrascal.
É uma relação direta:
profundidade gera espaço entre linhas.
E o Flamengo precisa explorar exatamente isso.
O retorno inesperado de Plata pode ser uma arma secreta
Recém re-incorporado ao elenco que viajou para Quito, Gonzalo Plata, caso tenha condições de jogo, pode desempenhar uma função importante nesta partida que exige vigor, velocidade e exploração de profundidade do campo.
Já que todas as características fazem parte do currículo do equatoriano.
Plata, em outras partidas que atuou na altitude parece não ter sentido as consequências físicas do ar rarefeito, e sempre impôs intensidade em campo, mesmo nestas adversidades, diferente dos outros jogadores.
Poder contar com ele no elenco, proporciona ao Jardim, um leque ainda mais de recursos táticos para explorar neste difícil jogo em Quito.
A altitude não pode virar desculpa para entregar o jogo
Existe ainda um fator externo.
A primeira partida será disputada em Quito.
A altitude naturalmente terá influência sobre o ritmo da partida e sobre o desgaste físico dos jogadores. Mas o Flamengo não pode entrar em campo com a mentalidade de simplesmente sobreviver.
A estratégia precisa ser diferente.
O Rubro-Negro pode controlar o ritmo através da posse, reduzir corridas desnecessárias e escolher melhor os momentos para acelerar.
Em outras palavras: não é preciso jogar em alta intensidade o tempo inteiro.
É preciso saber quando acelerar.
Essa capacidade de administrar o ritmo pode ser uma das maiores vantagens do Flamengo.
O primeiro jogo pode ser uma partida de paciência
O confronto em Quito não precisa necessariamente ser decidido pelo Flamengo.
Essa é uma diferença fundamental em relação ao jogo de volta.
O Rubro-Negro terá o Maracanã para decidir a classificação.
Portanto, o primeiro objetivo deve ser voltar ao Rio com a eliminatória viva e em condições favoráveis.
Isso não significa jogar pelo empate.
Significa não transformar uma eventual busca exagerada pela vitória em uma exposição desnecessária.
O Flamengo precisa entender que serão 180 minutos, e não 90.
Se encontrar espaço para vencer, deve atacar.
Se o jogo exigir controle, deve controlar.
A maturidade para entender o momento pode ser tão importante quanto a qualidade técnica.
O Maracanã pode ser o fator decisivo
A volta será no Maracanã, em 17 de setembro.
E isso coloca uma responsabilidade adicional sobre o Del Valle.
O time equatoriano terá de sobreviver primeiro em Quito e depois enfrentar o Flamengo diante de sua torcida.
O Rubro-Negro foi o primeiro colocado geral da fase de grupos e, por isso, tem o direito de decidir em casa.
Essa vantagem pode se tornar enorme se Jardim conseguir voltar do Equador com um resultado administrável.
Uma vitória do Flamengo em Quito praticamente inverteria a pressão.
Um empate manteria o cenário aberto.
Uma derrota por margem mínima também poderia ser recuperável.
O pior cenário seria permitir que o Del Valle construísse uma vantagem confortável fora de casa.
O Fla10 analisa: o Flamengo não precisa jogar o jogo do Del Valle
O Independiente del Valle chega às quartas de final com méritos.
Venceu o Grupo H com 13 pontos e eliminou o Tolima com duas vitórias. Na série, ganhou por 1 a 0 na Colômbia e depois fez 3 a 1 no Equador.
É uma equipe organizada, tecnicamente qualificada e acostumada a disputar grandes jogos continentais.
Mas existe uma diferença fundamental entre reconhecer suas virtudes e jogar de acordo com elas.
O Flamengo não pode entrar em campo tentando simplesmente neutralizar o Del Valle.
Precisa fazer o adversário se preocupar com o Flamengo.
Para isso, Jardim terá de preservar três princípios: controle da saída de bola, proteção das transições e agressividade quando encontrar espaço.
O Rubro-Negro tem jogadores para fazer isso.
Pedro pode decidir dentro da área.
Arrascaeta e Paquetá podem quebrar linhas.
Carrascal pode criar superioridade por dentro.
Samuel Lino pode atacar a profundidade.
E o sistema defensivo possui experiência suficiente para suportar a pressão.
A questão será fazer todas essas peças funcionarem juntas.
A eliminatória contra o Del Valle não será vencida necessariamente pelo time que tiver mais posse.
Será vencida pelo time que conseguir impor seu ritmo sem permitir que o adversário transforme cada perda de bola em uma oportunidade de gol.
O Flamengo terá 180 minutos para provar que aprendeu essa lição.
E, para chegar à semifinal da Libertadores, Leonardo Jardim precisará encontrar o equilíbrio entre controlar o jogo e atacar os espaços antes que o Del Valle consiga encontrá-los.
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