Flamengo domina, sai na frente, mas cede empate ao São Paulo no Maracanã
Imagem: Rubens Chiri e Paulo Pinto/SPFCRubro-Negro controla boa parte da partida, abre o placar com Léo Pereira em jogada ensaiada, mas vê Calleri responder no segundo tempo e deixa escapar dois pontos importantes na abertura do returno
O Flamengo voltou ao Maracanã depois da pausa para a Copa do Mundo, encontrou um São Paulo extremamente organizado e acabou deixando o estádio com um gosto amargo. O empate por 1 a 1, pela 20ª rodada do Brasileirão, não traduz completamente o domínio territorial rubro-negro, mas expõe uma dificuldade que Leonardo Jardim terá de corrigir: transformar superioridade em vantagem suficiente para matar a partida.
Léo Pereira colocou o Flamengo na frente no segundo tempo, aproveitando uma jogada ensaiada de escanteio. O São Paulo, porém, respondeu com Jonathan Calleri e conseguiu arrancar um ponto fora de casa. No fim, o Rubro-Negro ainda teve um gol anulado pelo impedimento semiautomático.
O resultado interrompe a possibilidade de o Flamengo pressionar ainda mais o líder na abertura do returno. Antes da rodada, o time de Leonardo Jardim tinha 37 pontos em 18 partidas e ocupava a segunda colocação.
Primeiro tempo: Flamengo tem a iniciativa, mas São Paulo fecha os espaços
Desde os primeiros minutos, o Flamengo tentou assumir o controle da partida. Com a bola, Leonardo Jardim manteve a equipe estruturada no 4-2-3-1, buscando criar superioridade pelos lados e utilizar Samuel Lino e Lorran para acelerar as jogadas próximas à área paulista.
O São Paulo, por sua vez, apresentou uma postura mais conservadora. A equipe de Dorival Júnior procurou diminuir os espaços entre suas linhas e dificultar a circulação do Flamengo pelo corredor central. Com isso, o Rubro-Negro teve mais posse, mas encontrou dificuldades para transformar a ocupação territorial em oportunidades claras.
A primeira chegada perigosa foi paulista. Aos cinco minutos, Wendell arriscou de média distância, mas mandou por cima do gol de Agustín Rossi. Pouco depois, o Flamengo respondeu em uma transição rápida: Samuel Lino encontrou Pedro, que acionou Lorran pelo lado direito. O jovem, entretanto, finalizou sem força, facilitando a defesa de Rafael.
A melhor oportunidade da etapa inicial surgiu aos 19 minutos. Após cruzamento de Emerson Royal, Samuel Lino ajeitou a bola e Erick Pulgar apareceu de frente para o gol. O volante soltou uma pancada e acertou o travessão de Rafael.
O lance mostrou uma das principais armas utilizadas pelo Flamengo: atrair a defesa paulista para dentro e encontrar espaço para a chegada de jogadores de segunda linha.
O São Paulo também chegou a balançar as redes, mas o gol de Marcos Antônio foi anulado por impedimento.
Apesar da superioridade territorial do Flamengo, a equipe não conseguiu impor um ritmo suficientemente alto para desmontar a estrutura defensiva adversária. O intervalo chegou com o placar zerado e a sensação de que o Rubro-Negro precisava acelerar a circulação da bola para encontrar espaços.
Segundo tempo: a jogada ensaiada que finalmente abriu o jogo
Leonardo Jardim manteve a estrutura, mas o Flamengo voltou mais agressivo e passou a pressionar o São Paulo com maior frequência próximo à área.
A mudança de intensidade quase produziu resultado logo aos 11 minutos. Lorran cruzou da direita, Bruno Henrique desviou de cabeça e Rafael realizou uma grande defesa para evitar o gol rubro-negro.
Pouco depois, porém, o goleiro paulista não conseguiu impedir o gol que nasceu de uma estratégia trabalhada pela comissão técnica.
Aos 12 minutos, o Flamengo abriu o placar.
Lorran cobrou escanteio pelo lado direito. Jorginho apareceu na primeira trave e desviou de cabeça. A bola ganhou direção para a pequena área, onde Léo Pereira apareceu livre para completar e mandar para as redes. Foi uma jogada ensaiada que explorou justamente a movimentação dos jogadores na primeira trave para retirar defensores da zona de finalização.
O gol parecia colocar o Flamengo no caminho de uma vitória importante.
Mas o São Paulo não desmoronou.
Calleri responde e recoloca o São Paulo no jogo
O empate veio aos 25 minutos da segunda etapa, em uma jogada que evidenciou uma das poucas vulnerabilidades defensivas apresentadas pelo Flamengo.
Luis Osorio recebeu pelo lado esquerdo e teve liberdade para levantar a bola na área. Calleri atacou o espaço entre os defensores e ganhou de Vitão pelo alto. O centroavante argentino cabeceou com força e venceu Rossi, deixando tudo igual no Maracanã.
O gol modificou o comportamento das duas equipes. O São Paulo ganhou confiança e o Flamengo precisou voltar a assumir o controle da partida, mas passou a encontrar mais dificuldades para chegar à área adversária com clareza.
O impedimento semiautomático aparece novamente
Na reta final, o Flamengo ainda chegou a marcar novamente, mas o gol não valeu.
Wallace Yan levantou a bola na área e Samuel Lino aproveitou a sobra para finalizar para as redes. Entretanto, a tecnologia de impedimento semiautomático identificou posição irregular de Wallace Yan na origem da jogada, e o gol foi anulado.
O lance ganhou um significado especial porque a partida ocorreu justamente poucos dias depois da estreia oficial do sistema no Campeonato Brasileiro.
Desta vez, a tecnologia foi utilizada para impedir que o Flamengo retomasse a vantagem nos minutos finais.
Raio-X tático: Jardim controla o jogo, mas falta contundência
O Flamengo partiu novamente do 4-2-3-1, com Pulgar e Jorginho formando a base do meio-campo, enquanto Lorran ocupava uma faixa mais centralizada e Samuel Lino e Bruno Henrique buscavam amplitude e profundidade ao lado de Pedro. A escalação inicial confirmou essa estrutura.
O desenho permitiu ao Flamengo ter superioridade na circulação e controlar a maior parte do território ofensivo. Emerson Royal e Alex Sandro também tinham liberdade para avançar, especialmente quando os pontas buscavam movimentos interiores.
O problema apareceu justamente na última etapa da construção.
O São Paulo recuou suas linhas e protegeu bem a região central. Com Pedro cercado pelos zagueiros, o Flamengo precisou buscar alternativas pelos corredores. Samuel Lino foi um dos jogadores que mais tentou romper essa estrutura, enquanto Lorran apareceu como peça importante para conectar meio e ataque.
A equipe paulista, por outro lado, buscava acelerar quando recuperava a bola, principalmente procurando Calleri. A estratégia ficou evidente no lance do empate: Osorio recebeu espaço pelo lado e conseguiu colocar a bola na cabeça do centroavante.
O duelo acabou sendo, portanto, uma disputa entre posse e controle rubro-negros contra organização defensiva e transição paulista.
E o São Paulo conseguiu sobreviver ao domínio do Flamengo porque reduziu a qualidade das chances criadas.
Léo Pereira: zagueiro novamente decisivo
Léo Pereira foi um dos nomes mais importantes do Flamengo na partida.
Além de cumprir sua função defensiva, o zagueiro apareceu no ataque para marcar o gol rubro-negro. Foi seu segundo gol no Brasileirão, em 16 partidas pela competição, segundo os dados disponíveis após o jogo.
Sua participação reforça uma característica importante da equipe de Leonardo Jardim: quando os atacantes encontram dificuldades para romper blocos baixos, os zagueiros e meio-campistas precisam aparecer na área para criar novas linhas de finalização.
Samuel Lino tenta, mas Flamengo não transforma volume em gols
Samuel Lino voltou a ser uma das principais válvulas de escape do Flamengo. O atacante participou da construção de algumas das melhores jogadas rubro-negras e apareceu diretamente no lance que terminou com o gol anulado na reta final.
O jogador mostrou novamente a capacidade de atuar aberto, atacar profundidade e também aparecer por dentro. Seu entendimento com Pedro e Lorran foi uma das alternativas encontradas pelo Flamengo para superar a marcação paulista.
Faltou, porém, transformar esse volume em um número maior de finalizações realmente perigosas.
Pedro encontra um adversário que soube isolá-lo
Depois de uma atuação de destaque contra a Chapecoense, Pedro teve uma partida mais complicada diante do São Paulo.
O centroavante participou da construção e teve uma boa oportunidade ainda no primeiro tempo, mas ficou excessivamente dependente das bolas que chegavam pelos lados. A compactação paulista reduziu os espaços para que ele recebesse dentro da área em condições favoráveis.
Isso mostra uma questão que Leonardo Jardim terá de trabalhar: quando Pedro é neutralizado, o Flamengo precisa encontrar rapidamente outra maneira de agredir o adversário.
O que o empate representa para o Flamengo?
O 1 a 1 deixa uma sensação ambígua.
Por um lado, o Flamengo mostrou controle, criou as principais oportunidades e voltou a apresentar intensidade depois da intertemporada. Por outro, desperdiçou uma oportunidade importante de somar três pontos dentro do Maracanã e pressionar diretamente o líder.
O São Paulo, que chegou ao confronto ocupando a 12ª posição e atravessando uma sequência irregular, conseguiu cumprir seu objetivo de sair do Rio de Janeiro com um ponto.
Para o Flamengo, o problema não foi a falta de domínio. Foi a falta de eficiência para transformar domínio em vantagem definitiva.
A equipe teve momentos em que controlou completamente a partida, mas permitiu que o São Paulo permanecesse vivo até encontrar uma oportunidade no segundo tempo.
O alerta para Leonardo Jardim
O empate serve como um lembrete de que o Flamengo não poderá depender apenas de posse de bola e volume ofensivo na reta decisiva da temporada.
Nos grandes jogos, especialmente na Libertadores e nos mata-matas, haverá adversários dispostos a fazer exatamente o que o São Paulo fez: baixar as linhas, fechar os espaços centrais, suportar a pressão e esperar uma oportunidade para atacar.
Leonardo Jardim terá de encontrar soluções para transformar o domínio territorial em mais chances claras e, principalmente, em vantagem no placar.
A jogada ensaiada que originou o gol de Léo Pereira mostrou que o treinador possui alternativas para furar blocos fechados. O desafio agora é ampliar esse repertório.
Flamengo deixa escapar dois pontos no retorno ao Maracanã
O retorno ao Maracanã após a pausa para a Copa do Mundo terminou com festa nas arquibancadas, mas sem a vitória esperada dentro de campo.
Flamengo e São Paulo fizeram uma partida equilibrada em oportunidades, com o Rubro-Negro assumindo mais o controle e o Tricolor mostrando eficiência para reagir depois de sofrer o gol. Léo Pereira e Calleri construíram o 1 a 1 definitivo.
Para Leonardo Jardim, fica a certeza de que o time continua competitivo e capaz de controlar adversários. Mas também fica uma cobrança: em uma temporada na qual o Flamengo pretende disputar três grandes competições até o fim, controlar a partida não será suficiente. Será preciso decidir.
O empate mantém o Flamengo na briga pelas primeiras posições, mas representa dois pontos desperdiçados em casa justamente no momento em que cada rodada começa a ganhar peso maior na disputa pelo título.
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