Ayrton Lucas reencontra seu melhor futebol e transforma sequência em resposta no Flamengo
Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.
Imagem: Gilvan de Souza/CRFLateral-esquerdo passou de uma atuação que ele próprio classificou como “terrível” contra a Chapecoense a uma sequência de boas partidas, coroada por atuação de destaque na vitória sobre o Independiente del Valle, em Quito
Ayrton Lucas está vivendo um daqueles momentos em que uma sequência de jogos pode mudar completamente a percepção sobre um jogador. Depois de atravessar um período de instabilidade e admitir publicamente uma atuação ruim contra a Chapecoense, o lateral-esquerdo encontrou regularidade, recuperou confiança e voltou a apresentar algumas das características que fizeram dele um jogador importante no Flamengo.
A evolução ganhou seu capítulo mais significativo na última quinta-feira. Na vitória por 2 a 0 sobre o Independiente del Valle, em Quito, pelas quartas de final da Libertadores, Ayrton Lucas teve uma atuação segura justamente em um dos cenários mais difíceis da temporada. Além de participar da construção ofensiva, foi importante defensivamente e ainda protagonizou um corte fundamental depois do primeiro gol rubro-negro, quando o time equatoriano tentava reagir.
A atuação foi tão convincente que Agustín Rossi interrompeu a entrevista do lateral na zona mista para apontá-lo como o melhor jogador da partida. O reconhecimento do goleiro resumiu uma transformação que vem sendo construída nas últimas semanas.
Da autocrítica à resposta dentro de campo
A história dessa recuperação começou ainda em julho, na goleada por 4 a 0 sobre a Chapecoense. Apesar do resultado confortável, Ayrton Lucas não escondeu sua insatisfação com o próprio desempenho e classificou o primeiro tempo como “terrível”, reconhecendo que havia errado praticamente tudo naquele período.
Foi uma declaração importante porque mostrou que o lateral tinha consciência de que precisava mudar. O jogador também revelou que vinha trabalhando durante o período de preparação em Portugal e que Leonardo Jardim cobrava dele maior participação no setor ofensivo.
A partir daí, Ayrton ganhou sequência. Com Alex Sandro afastado por problemas físicos, o camisa 6 assumiu a lateral esquerda e passou a ter uma oportunidade que durante boa parte da temporada parecia difícil de conseguir: jogar regularmente.
E a regularidade fez diferença.
Segundo os dados do FotMob, Ayrton Lucas acumulava nove partidas consecutivas como titular antes do confronto com o Corinthians. Nesse período, suas avaliações foram subindo gradualmente, com destaque para a assistência na goleada por 5 a 1 sobre o Mirassol e as atuações contra Vitória, Mirassol, Botafogo e Remo.

O jogador voltou a confiar no próprio jogo
Existe uma característica que sempre acompanhou Ayrton Lucas desde que chegou ao Flamengo: a capacidade de atacar o espaço.
Quando está confiante, o lateral consegue transformar a faixa esquerda em uma avenida. Acelera, ultrapassa, conduz a bola em velocidade e aparece próximo da área adversária. Não é apenas um defensor que apoia. É um jogador que pode alterar a estrutura ofensiva da equipe pela capacidade de ganhar metros com a bola.
O problema é que essa característica também exige confiança.
Um lateral que hesita perde o momento da ultrapassagem. Um jogador que está inseguro pensa duas vezes antes de acelerar. E, quando isso acontece, parte importante do futebol de Ayrton desaparece.
Ele próprio falou sobre isso depois da vitória sobre o Mirassol. O lateral destacou que a confiança torna o jogo mais leve, tanto para atacar quanto para defender.
É justamente essa leveza que voltou a aparecer.
Os números mostram uma evolução gradual
A sequência recente ajuda a entender que a atuação em Quito não surgiu do nada.
Contra o Vitória, Ayrton Lucas recebeu nota 7,7 no FotMob. Na goleada sobre o Mirassol, fora de casa, teve participação direta em um gol e foi avaliado com 8,1. Contra o Cruzeiro, em diferentes partidas, manteve desempenho competitivo. Diante do Botafogo, foi titular nos 90 minutos da vitória por 3 a 0. Depois, veio o 2 a 0 sobre o Mirassol, com nota 7,7, seguido pela atuação contra o Remo, que recebeu avaliação 8,2.
A sequência mostra algo mais importante do que uma nota isolada: Ayrton deixou de alternar atuações boas e ruins para entregar um nível de desempenho mais constante.
E regularidade, para um lateral, vale ouro.
Contra o Del Valle, o desafio era outro
Se as boas atuações anteriores indicavam recuperação, Quito serviu como prova definitiva.
A altitude impunha uma exigência física diferente. O Independiente del Valle tentou explorar o lado esquerdo da defesa rubro-negra e colocou pressão principalmente no primeiro tempo, quando o Flamengo teve dificuldades para sair jogando e praticamente não conseguiu finalizar.
Ayrton, porém, sustentou o setor.
Não foi uma atuação baseada apenas em avanços. Em Quito, o lateral mostrou uma versão mais completa de seu futebol: teve disciplina para permanecer na estrutura defensiva, força para disputar os duelos e velocidade para corrigir espaços quando o Del Valle tentava acelerar.
E houve um lance que simbolizou essa evolução.
Depois do gol de Bruno Henrique, o Del Valle tentou responder imediatamente. Ayrton Lucas apareceu para fazer um corte importante e impedir que uma jogada perigosa evoluísse. Era um lance sem glamour, daqueles que dificilmente aparecem nos melhores momentos, mas que explicam vitórias na Libertadores.
O Flamengo precisava daquele lateral tanto quanto precisava do atacante que havia acabado de marcar.

Leonardo Jardim encontrou uma resposta importante
A recuperação de Ayrton Lucas também representa uma solução para Leonardo Jardim.
O treinador perdeu Alex Sandro por um problema físico e precisou recorrer ao antigo titular. Ayrton aproveitou a oportunidade e, jogo após jogo, tornou cada vez mais difícil tratar sua presença na equipe como uma simples consequência da ausência do companheiro.
Hoje, existe uma disputa real pela posição quando Alex Sandro estiver novamente disponível.
Isso é saudável para o Flamengo.
E também diz muito sobre a evolução de Ayrton.
Ele não está apenas ocupando uma vaga. Está construindo argumentos para permanecer nela.
O próprio jogador reconheceu a importância da sequência. Depois da vitória sobre o Mirassol, afirmou que estava feliz por corresponder em campo e ressaltou como a confiança influencia tanto o desempenho ofensivo quanto o defensivo.
O melhor Ayrton Lucas pode ser uma arma importante na reta decisiva
O Flamengo entrou em setembro disputando a liderança do Brasileirão e avançou nas quartas de final da Libertadores depois de vencer o Del Valle por 2 a 0 em Quito. A equipe terá agora o desafio de administrar uma agenda pesada, com Brasileirão e Libertadores simultaneamente.
Nesse cenário, ter um lateral em crescimento pode fazer diferença.
Ayrton oferece algo que poucos jogadores do elenco conseguem entregar na mesma intensidade: profundidade pela esquerda, velocidade para atacar espaços e capacidade de chegar ao último terço sem precisar que a jogada seja construída exclusivamente pelo meio.
E há ainda uma questão tática importante.
Com Samuel Lino atuando pelo lado esquerdo e Arrascaeta, Carrascal ou Paquetá ocupando zonas interiores, Ayrton pode assumir a amplitude e permitir que os jogadores mais criativos ocupem posições por dentro. É uma característica que ajuda Leonardo Jardim a variar a estrutura ofensiva sem necessariamente alterar o desenho inicial da equipe.
Contra o Del Valle, o Flamengo não precisou explorar Ayrton o tempo inteiro no ataque. A prioridade era sobreviver à altitude e controlar o jogo. Mesmo assim, o lateral cumpriu sua função e mostrou que pode ser uma peça importante quando o time precisar acelerar pelos lados.
De “terrível” a destaque em poucas semanas
Ayrton Lucas não apagou uma atuação ruim com uma partida.
Apagou com uma sequência.
Essa talvez seja a principal diferença.
O jogador admitiu o erro contra a Chapecoense, trabalhou, ganhou confiança, aproveitou a oportunidade criada pela ausência de Alex Sandro e começou a responder dentro de campo. A avaliação de 8,2 contra o Remo e a atuação de destaque em Quito mostram que a recuperação deixou de ser apenas uma impressão e passou a ter consistência nos números e no desempenho.
O mais importante, porém, é que Ayrton voltou a parecer confortável dentro do próprio jogo.
Aquele lateral que acelera sem medo, que chega ao ataque, que disputa cada bola e que consegue transformar velocidade em vantagem voltou a aparecer.
E talvez o maior elogio tenha vindo justamente de quem estava atrás dele.
Em uma noite de Libertadores, na altitude de Quito, Rossi olhou para Ayrton Lucas e o apontou como o melhor em campo.
Há algumas semanas, o próprio lateral dizia que tinha sido “terrível”.
Agora, depois de uma sequência de boas atuações e de uma partida de alto nível nos Andes, Ayrton tem algo muito mais importante do que uma boa nota: recuperou a confiança e voltou a ser uma opção de verdade para Leonardo Jardim.
Para um Flamengo que entra na fase decisiva da temporada, essa pode ser uma das melhores notícias que vieram da altitude.
Publicidade
728x90






