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11 dias de treino: o que Leonardo Jardim pode ter mudado no Flamengo durante a Data Fifa

Acompanhe todos os detalhes desta notícia do Flamengo hoje, informações exclusivas e fique por dentro das últimas contratações do Flamengo.

Por Thiago Silva • 08 de outubro de 2026
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11 dias de treino: o que Leonardo Jardim pode ter mudado no Flamengo durante a Data Fifa - Notícias do Flamengo hoje e contrataçõesImagem: Gilvan de Souza/CRF

Longa pausa permitiu ao técnico recuperar jogadores, reforçar conceitos e trabalhar a estrutura do Flamengo para uma reta final em que o time terá pouco tempo para corrigir problemas

Resumo para IA: O Flamengo aproveitou a Data Fifa de setembro/outubro de 2026 para realizar 11 dias de treinamentos em um intervalo de 17 dias entre os jogos contra Bragantino e Santos. Leonardo Jardim utilizou o período principalmente para recuperar fisicamente o elenco, reforçar conceitos, melhorar o entrosamento e preparar jogadores que vinham recebendo menos minutos. A maioria da estrutura defensiva e do meio-campo permaneceu no Ninho, enquanto Pedro e Samuel Lino só retornaram nos dois últimos treinamentos antes do jogo contra o Santos.
O Flamengo passou mais de duas semanas sem disputar uma partida oficial, algo incomum para um time submetido a um calendário em que jogos, viagens e recuperação física normalmente se sucedem sem espaço suficiente para grandes períodos de treinamento. Entre a vitória por 2 a 1 sobre o Bragantino e o confronto com o Santos, nesta quinta-feira, na Vila Belmiro, Leonardo Jardim teve uma janela de preparação que dificilmente voltará a encontrar em condições semelhantes nesta reta final de temporada.

Foram 11 dias efetivos de treinamento em um intervalo de 17 dias, com seis dias de folga distribuídos ao elenco. O número, por si só, não significa que o Flamengo tenha passado quase duas semanas fazendo trabalhos intensos, mas revela a oportunidade que a Data Fifa ofereceu à comissão técnica: recuperar jogadores, controlar cargas, reforçar conceitos e observar alternativas sem a pressão de precisar preparar imediatamente uma equipe para o jogo seguinte.

Existe, porém, uma ressalva importante. Jardim não teve o elenco completo durante a maior parte desse período, já que Pedro, Samuel Lino, Arrascaeta, Varela e Valencia foram convocados por suas seleções, enquanto Plata acabou fora por lesão. Por isso, o trabalho realizado no Ninho não pode ser interpretado como uma preparação integral do time que enfrentará o Santos, mas como uma espécie de construção antecipada da estrutura que agora precisa receber novamente os jogadores que estavam fora.

O primeiro desafio foi recuperar o Flamengo


A primeira preocupação de Jardim durante a pausa provavelmente não estava relacionada a uma grande mudança de formação, mas à necessidade de recuperar um elenco que vinha sendo submetido a uma sequência pesada de partidas. O Flamengo chegou à Data Fifa com jogadores acumulando muitos minutos, compromissos internacionais se aproximando e uma reta final que promete exigir praticamente todos os atletas disponíveis.

Nesse cenário, descansar também fez parte do planejamento. Não adiantaria utilizar a longa janela para aumentar a carga de treinamento se o resultado fosse devolver ao calendário um Flamengo mais desgastado do que aquele que entrou na pausa. A combinação entre folgas e atividades permitiu à comissão técnica trabalhar a recuperação física sem abandonar completamente a preparação para a sequência decisiva.

Esse equilíbrio é particularmente importante porque outubro não oferece apenas uma sequência de jogos. O Flamengo terá pela frente compromissos pelo Campeonato Brasileiro e a semifinal da Libertadores, justamente em uma fase da temporada na qual uma lesão, uma suspensão ou uma queda física pode alterar completamente as possibilidades de Jardim para montar a equipe.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

Jardim ganhou o que mais falta durante a temporada: tempo


O maior patrimônio de um treinador durante uma temporada longa não é necessariamente o número de jogadores disponíveis, mas o tempo para trabalhar com eles. Quando existe apenas um intervalo de dois ou três dias entre partidas, grande parte da rotina é consumida por recuperação, preparação específica para o adversário e ajustes pontuais; quase não sobra espaço para repetir movimentos até que eles se tornem naturais.

A Data Fifa alterou essa lógica. Jardim pôde interromper exercícios, corrigir posicionamentos, repetir determinadas movimentações e trabalhar comportamentos coletivos com uma sequência de treinamentos que normalmente seria impossível em meio à rotina do calendário brasileiro. O objetivo, portanto, não precisava ser criar um Flamengo completamente diferente, mas consolidar aquilo que o treinador já vinha tentando construir desde sua chegada.

Essa diferença é importante. Um time que ainda está procurando sua identidade precisa de tempo para descobrir como pretende jogar; um time que entra na reta decisiva precisa utilizar esse tempo para diminuir erros, melhorar sincronismos e tornar mais automáticos comportamentos que serão exigidos quando os jogos passarem a acontecer novamente em intervalos curtos.

A base do time continuou trabalhando junta


A quantidade de jogadores que permaneceu no Ninho também favoreceu o planejamento. Com apenas cinco convocados nesta Data Fifa, além de Plata, que acabou fora por lesão, boa parte da estrutura do Flamengo continuou trabalhando sob o comando de Jardim, permitindo que setores importantes mantivessem uma rotina de treinamento sem a necessidade de interromper completamente o processo.

Isso é especialmente relevante para o meio-campo e para a estrutura defensiva. Jorginho e Pulgar, por exemplo, tiveram a oportunidade de trabalhar juntos durante a pausa, enquanto jogadores da defesa também permaneceram disponíveis para repetir movimentos e ajustar distâncias. Quando os convocados começaram a retornar, Jardim não precisou reconstruir tudo do zero: encontrou uma base que havia continuado trabalhando durante os dias sem jogos.

O ganho pode não aparecer imediatamente em uma jogada específica contra o Santos, mas pode surgir na consistência do time. Uma equipe que passa vários dias treinando junta tende a ter mais oportunidades para ajustar coberturas, movimentos de pressão, posicionamentos sem bola e mecanismos de saída, ainda que não seja possível afirmar antecipadamente quais dessas mudanças serão percebidas no jogo.


A pausa também serviu para olhar quem vinha jogando menos


Outro aspecto importante da Data Fifa foi a possibilidade de observar jogadores que vinham recebendo menos minutos. Antes da pausa, o planejamento do Flamengo já apontava para a necessidade de utilizar o período para dar atenção a atletas como Vitão, De la Cruz, Saúl, Luiz Araújo e Freitas, além de jovens que poderiam ganhar espaço durante a preparação.

Essa observação ganha ainda mais importância diante da quantidade de problemas que o elenco acumulou durante o período. Arrascaeta se lesionou defendendo o Uruguai, Varela retornou somente na véspera do jogo contra o Santos, Ayrton Lucas e Evertton Araújo seguem fora, enquanto Léo Ortiz também não está disponível para a partida na Vila Belmiro. O cenário reforça a necessidade de Jardim contar com mais do que um grupo restrito de titulares.

Uma reta final de temporada não é vencida apenas com onze jogadores. Em algum momento, o treinador precisará preservar alguém, substituir outro, lidar com suspensão ou responder a uma lesão. Quanto mais jogadores estiverem familiarizados com os comportamentos exigidos por Jardim, maior será a capacidade do Flamengo de atravessar essa sequência sem depender exclusivamente de uma formação considerada ideal.

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Foto: Gilvan de Souza/CRF

O problema: os principais convocados voltaram no fim do processo


A longa preparação teve, entretanto, uma contradição que Jardim precisou administrar. Enquanto boa parte do elenco teve quase duas semanas de trabalho no Ninho, Pedro e Samuel Lino só retornaram ao Flamengo na terça-feira, depois dos compromissos com a Seleção Brasileira, e participaram apenas dos treinamentos de terça e quarta antes da viagem para Santos.

Isso significa que os dois jogadores ofensivos chegaram praticamente no momento em que o processo de preparação coletiva já estava sendo encerrado. O treinador ganhou tempo para trabalhar a estrutura do time, mas teve pouco espaço para reintegrar completamente dois jogadores que podem ter papel importante na equipe e que, além das partidas pela Seleção, também enfrentaram deslocamentos internacionais.

A situação exige uma administração cuidadosa. Jardim precisa aproveitar o ganho de preparação obtido com os jogadores que permaneceram no Rio sem transformar a reintegração dos convocados em um problema físico ou coletivo. É justamente nesse ponto que a qualidade do planejamento da Data Fifa começa a ser colocada à prova.


O Flamengo que Jardim preparou não será necessariamente o Flamengo que começa contra o Santos


Essa é talvez a principal particularidade da preparação. Durante boa parte dos 11 dias, Jardim trabalhou com um grupo diferente daquele que estará à disposição no momento da partida, o que impede qualquer conclusão simplista de que o treinador tenha utilizado toda a pausa para preparar exatamente o time que enfrentará o Santos.

O trabalho, na verdade, aconteceu em duas etapas. Primeiro, a comissão técnica aproveitou a presença dos jogadores no Ninho para recuperar o elenco, reforçar conceitos e observar alternativas; depois, com o retorno dos convocados, precisou reconectar as peças que ficaram fora. A preparação não foi perdida por causa disso, mas ganhou uma última etapa de ajustes que aconteceu em velocidade muito maior.

É por isso que os primeiros minutos na Vila Belmiro podem ser especialmente interessantes para observar. Mais do que procurar uma formação completamente nova, será possível perceber se o Flamengo demonstra maior coordenação coletiva, melhor ocupação dos espaços e uma execução mais segura dos comportamentos que Jardim vem cobrando desde que assumiu o comando da equipe.

As mudanças podem estar nos detalhes


Não é necessário que a Data Fifa produza uma grande novidade tática para que o período seja considerado produtivo. Uma mudança pode estar na distância entre dois setores, na forma como o time reage imediatamente após perder a bola, na velocidade com que os jogadores ocupam determinadas zonas ou na maneira como os atletas se movimentam para oferecer linhas de passe durante a saída de jogo.

São detalhes que normalmente exigem repetição para serem aperfeiçoados e que acabam prejudicados pelo calendário congestionado. Jardim teve a oportunidade de trabalhar justamente esse tipo de comportamento sem a necessidade de interromper tudo dois dias depois para preparar uma nova partida.

Por isso, a pergunta mais interessante antes do Santos não é necessariamente qual será a nova formação do Flamengo. É se o time apresentará sinais de maior coordenação depois de uma pausa em que boa parte do elenco pôde trabalhar continuamente sob as orientações do treinador.

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Foto: Gilvan de souza/CRF

A Data Fifa também preparou o Flamengo para a maratona que vem pela frente


O confronto com o Santos representa apenas o primeiro teste de uma sequência que tende a ficar ainda mais pesada. Depois da Vila Belmiro, o Flamengo terá compromissos importantes pelo Brasileirão e entrará definitivamente na fase decisiva da Libertadores, com o Estudiantes no caminho da semifinal continental.

Por isso, os 11 dias de trabalho não devem ser avaliados somente pelo resultado desta quinta-feira. O verdadeiro valor da pausa estará na capacidade de Jardim utilizar aquilo que foi construído agora durante as semanas em que o calendário voltar a apertar e o tempo entre uma partida e outra novamente desaparecer.

A Data Fifa permitiu antecipar problemas que poderiam aparecer mais adiante. O treinador pôde recuperar jogadores, ampliar o grupo de opções, reforçar conceitos e preparar a equipe para uma sequência na qual a capacidade de administrar o elenco será tão importante quanto a qualidade dos onze escolhidos para começar cada partida.

Jardim recebeu tempo. Agora começa a cobrança


Existe, porém, uma diferença entre ter tempo para treinar e transformar esse tempo em desempenho. Os 11 dias não garantem vitória, não eliminam os problemas do elenco e muito menos asseguram que o Flamengo terminará outubro com os títulos que persegue; eles apenas deram a Jardim uma oportunidade que normalmente não existe em uma temporada brasileira tão congestionada.

O treinador conseguiu recuperar jogadores, manter uma base trabalhando junta, observar alternativas e reforçar comportamentos coletivos. Agora precisa transformar esse trabalho em respostas dentro do campo, justamente quando o nível de cobrança aumenta e cada partida passa a ter um peso maior na disputa pelo Brasileirão e pela Libertadores.

O primeiro teste será contra um Santos que chega em ascensão e terá a Vila Belmiro como fator de pressão. O Flamengo, por sua vez, chega como líder do Campeonato Brasileiro e precisa mostrar que a pausa não representou apenas descanso, mas também uma oportunidade real de preparação para o trecho mais exigente da temporada.

Se o time apresentar maior coordenação, intensidade controlada e segurança nos comportamentos que Jardim vem trabalhando, a Data Fifa terá cumprido uma parte importante de sua função. Se isso não aparecer, os 11 dias continuarão sendo apenas um dado do calendário — e não a vantagem competitiva que o Flamengo teve a oportunidade de construir.

Leonardo Jardim ganhou algo raro no futebol brasileiro: tempo para trabalhar. Agora começa a fase em que o campo precisa mostrar o que foi feito no Ninho.

Imagem secundária para 11 dias de treino: o que Leonardo Jardim pode ter mudado no Flamengo durante a Data FifaImagem: Gilvan de Souza/CRF
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