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Libertadores - Quartas - Jogo da volta

17 de setembro, 202621:30
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Opinião

O futebol, às vezes, gosta de brincar com quem acha que já ganhou

MI

Por Miguel Sampaio

18 de setembro de 2026

29 acessos
Há noites em que o futebol parece ter sido escrito por alguém com péssimo humor.

Esta foi uma delas.

O Flamengo tinha ido ao Equador, na semana passada, vencido o Independiente del Valle por 2 a 0 e voltado para o Rio carregando uma vantagem que parecia confortável. Daquelas que permitem ao torcedor respirar um pouco antes de entrar no estádio.

Só parecia.

Porque futebol, meus amigos, não gosta muito de conforto.

No começo da noite, o Maracanã parecia preparado para uma festa.

No fim, parecia preparado para um infarto coletivo.

O Flamengo empatou em 1 a 1, garantiu a classificação para a semifinal da Libertadores e fez o que precisava fazer.

Mas demorou bastante para convencer alguém de que estava tudo sob controle.

E talvez essa seja a história mais interessante desta noite.

O Flamengo não ganhou.

Mas passou.

E há momentos em que passar é o verbo mais importante de todos.

O primeiro tempo foi daqueles que envelhecem o torcedor.

O Flamengo tinha a bola, mas não tinha o jogo.

Trocava passes, procurava espaços, tentava sair da marcação, mas parecia sempre um segundo atrasado.

Quando finalmente encontrou Bruno Henrique em condições de marcar, o atacante ficou diante do goleiro e não conseguiu transformar a chance em gol.

Ali, talvez, estivesse o aviso.

O jogo não seria simples.

Depois veio o gol do Del Valle.

E o Maracanã mudou de temperatura.

Não foi apenas a bola entrando.

Foi a lembrança de que uma vantagem de dois gols, no futebol, é uma coisa muito mais frágil do que parece quando está escrita no placar.

O torcedor sabe.

O jogador sabe.

O problema é que, quando o medo entra em campo, ele não costuma pedir autorização.

O Flamengo começou a errar passes.

A bola parecia mais pesada.

As pernas pareciam um pouco mais lentas.

E o Del Valle percebeu.

Eu já vi o Flamengo atravessar noites assim.

Aquelas noites em que o adversário cresce não porque seja necessariamente melhor, mas porque percebe que o outro começou a duvidar de si mesmo.

É uma diferença pequena.

E enorme.

O Flamengo deixou de jogar para vencer.

Começou a jogar para não perder.

Essa mudança, no futebol, costuma custar caro.

E quase custou.

No segundo tempo, Leonardo Jardim tentou mudar o cenário.

Arrascaeta entrou.

Plata entrou.

Mas antes que o Flamengo pudesse realmente reorganizar a casa, Jorginho foi expulso.

Pronto.

O que já era uma noite desconfortável virou uma noite perigosa.

O Flamengo passou a ter um jogador a menos justamente quando mais precisava ter a bola.

E o Del Valle passou a acreditar.

Esta foi uma delas.

O Flamengo tinha ido ao Equador, na semana passada, vencido o Independiente del Valle por 2 a 0 e voltado para o Rio carregando uma vantagem que parecia confortável. Daquelas que permitem ao torcedor respirar um pouco antes de entrar no estádio.

Só parecia.

Porque futebol, meus amigos, não gosta muito de conforto.

No começo da noite, o Maracanã parecia preparado para uma festa.

No fim, parecia preparado para um infarto coletivo.

O Flamengo empatou em 1 a 1, garantiu a classificação para a semifinal da Libertadores e fez o que precisava fazer.

Mas demorou bastante para convencer alguém de que estava tudo sob controle.

E talvez essa seja a história mais interessante desta noite.

O Flamengo não ganhou.

Mas passou.

E há momentos em que passar é o verbo mais importante de todos.

O primeiro tempo foi daqueles que envelhecem o torcedor.

O Flamengo tinha a bola, mas não tinha o jogo.

Trocava passes, procurava espaços, tentava sair da marcação, mas parecia sempre um segundo atrasado.

Quando finalmente encontrou Bruno Henrique em condições de marcar, o atacante ficou diante do goleiro e não conseguiu transformar a chance em gol.

Ali, talvez, estivesse o aviso.

O jogo não seria simples.

Depois veio o gol do Del Valle.

E o Maracanã mudou de temperatura.

Não foi apenas a bola entrando.

Foi a lembrança de que uma vantagem de dois gols, no futebol, é uma coisa muito mais frágil do que parece quando está escrita no placar.

O torcedor sabe.

O jogador sabe.

O problema é que, quando o medo entra em campo, ele não costuma pedir autorização.

O Flamengo começou a errar passes.

A bola parecia mais pesada.

As pernas pareciam um pouco mais lentas.

E o Del Valle percebeu.

Eu já vi o Flamengo atravessar noites assim.

Aquelas noites em que o adversário cresce não porque seja necessariamente melhor, mas porque percebe que o outro começou a duvidar de si mesmo.

É uma diferença pequena.

E enorme.

O Flamengo deixou de jogar para vencer.

Começou a jogar para não perder.

Essa mudança, no futebol, costuma custar caro.

E quase custou.

No segundo tempo, Leonardo Jardim tentou mudar o cenário.

Arrascaeta entrou.

Plata entrou.

Mas antes que o Flamengo pudesse realmente reorganizar a casa, Jorginho foi expulso.

Pronto.

O que já era uma noite desconfortável virou uma noite perigosa.


O Flamengo passou a ter um jogador a menos justamente quando mais precisava ter a bola.

E o Del Valle passou a acreditar.

Aí o Maracanã fez aquilo que o Maracanã sabe fazer.

Parou de esperar.

Começou a jogar junto.

Não dava para pedir futebol bonito.

Não dava para pedir domínio.

Não dava nem para pedir tranquilidade.

Era hora de sobreviver.

E o Flamengo sobreviveu.

Mas faltava alguma coisa.

Faltava uma história.

E o futebol, quando quer, sempre encontra uma.

Rossi chutou a bola para frente.

Um chutão.

Nada de extraordinário.

A bola quicou.

O goleiro do Del Valle calculou mal.

E, de repente, aquela bola que parecia destinada a morrer longe do gol virou presente.

Arrascaeta estava ali.

Claro que estava.

Há jogadores que parecem ter algum tipo de contrato particular com o destino.

O uruguaio não desperdiçou.

Empatou o jogo.

E, naquele instante, o Maracanã respirou novamente.

Foi um gol estranho.

Feio, se quisermos ser honestos.

Mas quem disse que gol de classificação precisa ser bonito?

Na Libertadores, às vezes a bola não entra.

Às vezes ela simplesmente vai... Quica... Engana... Escapa....

E...

Encontra justamente aquele que deveria estar ali.

O Flamengo chegou à semifinal.

Isso é o que ficará na história.

Mais uma semifinal de Libertadores.

Mais uma página importante.

O adversário será o Estudiantes.

Mas antes de pensar no próximo capítulo, talvez seja necessário olhar um pouco para esta noite.

Porque ela deixou um recado.

O Flamengo pode ser melhor do que foi hoje.

Pode jogar mais.

Pode errar menos.

Pode controlar melhor os momentos de pressão.

Pode evitar que uma vantagem confortável vire uma tempestade dentro do próprio estádio.

Tudo isso é verdade.

Mas também é verdade que existe uma qualidade que nenhum esquema tático consegue ensinar completamente:

sobreviver.

Hoje o Flamengo precisou sobreviver.

E sobreviveu.

Não foi uma noite para guardar pela beleza.

Foi uma noite para guardar pela história.

Eu prefiro assim.

O futebol não precisa ser bonito todas as vezes.

Às vezes ele precisa apenas nos lembrar por que continuamos voltando.

Porque há noites em que o torcedor vai ao estádio esperando comemorar.

E acaba descobrindo que, antes da comemoração, ainda precisava acreditar.

O apito final chegou.

A Libertadores continua.

E, por enquanto, isso basta.

Porque há vitórias que se contam em gols.

E há classificações que se contam em alívio.

Esta foi das segundas.

Aí o Maracanã fez aquilo que o Maracanã sabe fazer.

Parou de esperar.

Começou a jogar junto.

Não dava para pedir futebol bonito.

Não dava para pedir domínio.

Não dava nem para pedir tranquilidade.

Era hora de sobreviver.

E o Flamengo sobreviveu.

Mas faltava alguma coisa.

Faltava uma história.

E o futebol, quando quer, sempre encontra uma.

Rossi chutou a bola para frente.

Um chutão.

Nada de extraordinário.

A bola quicou.

O goleiro do Del Valle calculou mal.

E, de repente, aquela bola que parecia destinada a morrer longe do gol virou presente.

Arrascaeta estava ali.

Claro que estava.

Há jogadores que parecem ter algum tipo de contrato particular com o destino.

O uruguaio não desperdiçou.

Empatou o jogo.

E, naquele instante, o Maracanã respirou novamente.

Foi um gol estranho.

Feio, se quisermos ser honestos.

Mas quem disse que gol de classificação precisa ser bonito?

Na Libertadores, às vezes a bola não entra.

Às vezes ela simplesmente vai... Quica... Engana... Escapa....

E...

Encontra justamente aquele que deveria estar ali.

O Flamengo chegou à semifinal.

Isso é o que ficará na história.

Mais uma semifinal de Libertadores.

Mais uma página importante.

O adversário será o Estudiantes.

Mas antes de pensar no próximo capítulo, talvez seja necessário olhar um pouco para esta noite.

Porque ela deixou um recado.

O Flamengo pode ser melhor do que foi hoje.

Pode jogar mais.

Pode errar menos.

Pode controlar melhor os momentos de pressão.

Pode evitar que uma vantagem confortável vire uma tempestade dentro do próprio estádio.

Tudo isso é verdade.

Mas também é verdade que existe uma qualidade que nenhum esquema tático consegue ensinar completamente:

sobreviver.

Hoje o Flamengo precisou sobreviver.

E sobreviveu.

Não foi uma noite para guardar pela beleza.

Foi uma noite para guardar pela história.

Eu prefiro assim.

O futebol não precisa ser bonito todas as vezes.

Às vezes ele precisa apenas nos lembrar por que continuamos voltando.

Porque há noites em que o torcedor vai ao estádio esperando comemorar.

E acaba descobrindo que, antes da comemoração, ainda precisava acreditar.

O apito final chegou.

A Libertadores continua.

E, por enquanto, isso basta.

Porque há vitórias que se contam em gols.

E há classificações que se contam em alívio.

Esta foi das segundas.

E talvez sejam justamente essas que a gente demora mais para esquecer.

Sobre Miguel Sampaio

Miguel Sampaio é jornalista e cronista esportivo carioca, com mais de quatro décadas acompanhando o futebol de perto. Aos 60 anos, carrega a memória de diferentes gerações do esporte, de Zico e do Maracanã de outras épocas ao futebol moderno. Na coluna “Depois do Apito”, combina experiência, opinião e olhar crítico para analisar o Flamengo e o futebol brasileiro para além do resultado.

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